A incomparável leveza de Inga Sempé - EYE4DESIGN A incomparável leveza de Inga Sempé - EYE4DESIGN
01-10-2015

A incomparável leveza de Inga Sempé

Giboulee para Is Roros |Foto: Studio Sempix
Giboulee para Roros |Foto: Studio Sempix

Ela vive e trabalha em Paris, cidade que considera seu lugar no mundo. Louca por design, fez nos anos 90 a École Nationale Supérieure de Création Industrielle e passou um ano abrindo os cinco sentidos para o design italiano, na Académie de France em Roma.

Cappuccina para Is Luceplan
Cappuccina para Luceplan

Inquieta e sempre cheia de ideias, entrou no século 21 com seu próprio estúdio na capital francesa. Hoje, ela é sinônimo de grife e presença obrigatória nas feiras internacionais do mundo inteiro, especialmente por sua versatilidade: Inga assina um portfólio múltiplo como  designer de marcas de peso, entre elas Alessi, Cappellini, Edra, Hay, Ligne Roset, Moustache, Røros Tweed, Luceplan e Wästberg.

Collo Alto para Alessi
Collo Alto para Alessi

Ela me confessou se sentir muito à vontade, sem amarras, para inovar em suas criações, sempre adorando o desafio de propor uma nova estética no cotidiano. Apaixonada pelo que faz, busca trabalhar para empresas que tenham o mesmo entusiasmo com relação ao design. Espontânea e rápida de raciocínio, Inga Sempé concedeu por email esta entrevista exclusiva aos leitores do E4D.

w153 para Wastberg | Foto: Studio Sempix
w153 para Wastberg | Foto: Studio Sempix

E4D – Você é múltipla! Faz luminárias, estofados, espelhos, pequenos móveis, talheres, até tapetes… Suas criações nascem com independência ou você se sente presa para criar sob encomenda para grifes como Alessi, Ligne Roset ou Wästberg, por exemplo?
Inga Sempé – Tenho uma única regra: trabalhar com empresas geridas por pessoas interessantes e apaixonadas. Caso contrário, não vejo possibilidade de criar um projeto, seria uma energia desperdiçada. Eu adoro trocar de desafios, passar de móveis para pequenos objetos, trabalhar em várias tipologias. Se as pessoas com quem trabalho aceitam isso, acho perfeito. Não vejo problemas nessas mudanças, sou extremamente leal.

Capture One Session
Coleção Beau Fixe para Ligne Roset – France 2015

E4D – Quais são os materiais que mais inspiram você atualmente a fazer coisas novas?  E sobre as cores, em que medida elas te movem?
Inga Sempé – Os materiais só me interessam quando passam a servir a uma ideia, ao  projeto que quero desenvolver. Nenhum material, por si só, me inspira. A ideia é que me move, me leva a buscar o material adequado. Quanto a cores, é instintivo. Escolho com liberdade, de acordo com minhas convicções pessoais, que muitas vezes pouco têm a ver com um raciocínio de empresa. Mas, na verdade, tento fazer com que tudo se equilibre.

w153 para Wastberg | Foto:Studio Sempix
w153 para Wastberg | Foto:Studio Sempix

E4D – Como é seu processo de criação? Você faz vários croquis, pensa muito, fica tensa ou deixa vir a onde de criatividade sem estresse? Pode falar um pouco sobre isso?
Inga Sempé – Começo sempre pelo desenho. É a maneira que encontro de me concentrar no projeto. Saio carregando a ideia comigo. Faço meus desenhos em todos os momentos e lugares, quando saio para tomar um café, falando ao telefone, assistindo TV… Faço repetidamente, até entender a direção em que quero ir. E isso pode levar um longo tempo. Então, passo para maquetes, muitas maquetes! Alguém pode achar uma certa ingenuidade nisso, mas elas me são muito úteis para o trabalho de montar as imagens em 3D no computador. Assim como no cinema, onde o som não pode ser dissociado da imagem, forma e função caminham juntas. A função é primordial na minha maneira de trabalhar. Sou concentrada, mas de uma maneira completamente invisível para os outros, eu acho… Quando estou em criação, não deixo de me envolver com outras atividades, minha vida pessoal, meu lazer… Levo minha vida normal, mas com foco no projeto o tempo inteiro!

Ruban para Hay | Foto: Studio Sempix
Ruban para Hay | Foto: Studio Sempix

E4D – Qual o produto criado em 2015 que você considera mais afinado com sua personalidade e suas exigências como designer?
Inga Sempé – Sem dúvida a luminária W 153 Île, que eu desenhei para a Wästberg,  empresa sueca com a qual colaboro desde 2010.  A peça de aparência leve tem uma base que esconde o mecanismo técnico. É uma luminária articulada (eu amo objetos articulados!) e multifuncional para diferentes usos da luz: pode ser de mesa, pinçada em um móvel, como um grampo,  ou pendurada na parede de uma forma muito natural,  sem parecer fora de lugar. Desde criança sou apaixonada por sombras ajustáveis, por lâmpadas de fixação inteligente. E esse projeto, que é tão simples, me encanta.

Capture One Session
Coleção Beau Fixe para Ligne Roset – France 2015

E4D – O que você conhece do Brasil? Gosta do design brasileiro?
Inga Sempé – Que pena, eu não sei nada do Brasil, a não ser o design dos irmãos Campana… Mas sou assim, costumo não saber nada sobre muitas coisas…

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w153 para Wastberg | Foto:Studio Sempix

E4D – Como é seu estilo de vida no cotidiano? Você curte sua casa? Qual o seu lugar preferido nela? Seu décor pessoal é minimalista ou você adora acumular móveis e objetos?
Inga Sempé – Meu estilo na vida cotidiana é lamentável… Eu detesto passar a esponja sobre a mesa após as refeições… Mas adoro minha casa e suas janelas, com as plantas que eu gosto de cultivar. Objetos? Me sinto sufocada quando a quantidade de objetos é em demasia.

Ruban para Hay | Foto: Studio Sempix
Ruban para Hay | Foto: Studio Sempix

E4D – O que você sugere para um décor contemporâneo, bem-humorado e inteligente?
Inga Sempé – Não tenho ideias específicas sobre decoração, mas reconheço que há pessoas que precisem de conselhos sobre como iluminar a casa. Eu vejo que há lugares em que a luz interna dos ambientes é errada, muito violenta, capaz de causar mau-humor. O uso de luz muito forte me dá a sensação de uma cena de filme,  quando a polícia precisa iluminar tudo para esclarecer um crime, encontrar vestígios de sangue, pegadas, cabelo… (rsrsrs). Penso que é muito melhor distribuir a iluminação pelos espaços com pequenas lâmpadas em luminárias de diferentes orientações. Porque fazemos muitos usos diferentes da luz no dia a dia, luz para ler, para conversar, para comer… Em resumo, meu conselho é: não acenda sua casa como um aeroporto!

Inga Sempé
Inga Sempé
Croqui da Collo Alto para Alessi
Croqui da Collo Alto para Alessi
Croqui da Cappuccina para Luceolan
Croqui da Cappuccina para Luceolan

 

 

Por: Claudia Ferraz

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