A cativante personalidade de Henrique Steyer - EYE4DESIGN A cativante personalidade de Henrique Steyer - EYE4DESIGN
30-08-2013

A cativante personalidade de Henrique Steyer

 

e4d-henrique-steyerPara começar o fim de semana desde já e em grande estilo, o E4D traz um agradável bate-papo com Henrique Steyer, conhecido por criar interiores ousados e diferentes, agora o jovem arquiteto também se aventura pelo design com peças lúdicas e divertidas inspiradas na fauna brasileira. Conheça um pouco mais de uma das personalidades que vem ganhando mais e mais destaque no cenário da arquitetura e design.

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A melhor viagem do mundo?
Aquela onde temos a melhor companhia. Com a pessoa certa, até uma volta na quadra vira uma viagem dos sonhos. Claro que se esta “volta na quadra” for em alguma cidadezinha da Itália, em uma praia do Caribe ou em uma metrópole com Istambul, a coisa fica ainda mais interessante.

Sua profissão secreta?
Sou um artista frustrado. Artista de palco mesmo, daqueles que agita multidões. Como sou muito tímido, e nesta encarnação não vim com o dom de cantar, acabo fazendo isso sorrateiramente em casa, no carro e com amigos muito íntimos, que sempre fazem questão de dizer que eu não devo cantar, apenas dublar, já que minha voz agride demasiadamente os ouvidos de quem está por perto. (que droga).

Um artista que fala sua língua?
Maurizio Cattelan. Acho ele incrível, criativo, perspicaz, irônico, inteligente e tudo mais que alguém pode querer em um artista. O trabalho dele tem tamanha genialidade que posso enquadrá-lo como um obstinado à frente de nosso tempo. Ele parece estar sempre criticando a natureza ignorante do ser humano de forma subversiva e debochada. Acredito que conseguir falar dos tabus da sociedade com tanta destreza e desprendimento é algo fascinante. Não canso de ovacionar, aplaudir, reverenciar e idolatrar o tudo que ele faz.

Arquiteto e designer favorito?
Máximo Riera. Ele é o designer que criou aquelas cadeiras em forma de polvo, elefante, rinoceronte e por aí vai.
Talvez algum leigo possa perguntar: Que diabos eu faria com uma cadeira dessas? Na verdade, quem se importa se tamanha genialidade combina ou não com sua decoração comum e desprovida de inovação? Imagino que uma peça assinada por Riera seja o assento ideal para alguma personalidade incrível apresentar seu discurso sobre como dominará o mundo ou algo do gênero. Além de coragem para alguém criar algo incrível assim, é fundamental que haja coragem do lado de cá para consumir aquilo que é bom e que merece o nosso aplauso. Ele é o cara!

Um luxo essencial?
Ter tempo para almoçar com amigos, fugir para dormir trinta minutos após o almoço e poder trabalhar com aquilo e com aqueles que a gente gosta. Esses são os verdadeiros luxos para mim.

Seu lugarzinho preferido dentro de casa?
Meu quarto, minha cama. Alí é o lugar onde tenho inspiração para novos projetos. Onde me escondo do mundo quando estou inseguro. Onde choro de medo. Onde comemoro minhas pequenas vitórias. Onde dou risada de mim mesmo. Onde me atiro depois de uma viagem e onde recarrego minha bateria.

Lojas e marcas que se comunicam com você?
Gosto da Moncler e sempre digo que quem já vestiu uma jaqueta Moncler sabe o que é estar realmente aquecido. Uma marca que preza pela qualidade e que sempre assina um dos shows mais aguardados da temporada de inverno na semana de moda de Nova York. Me agrada também a forma com que Tom Ford trabalha sua comunicação, usando grandes fotógrafos como Terry Richardson, para mostrar uma realidade tão crua que beira o resultado poético. Respeito muito Yves Saint Laurent e tudo que ele representou em sua época. O filme L’amour fou só aumentou minha admiração por ele. Gosto da grife italiana Flexform e da qualidade de seus estofados. Ah, gosto de tanta coisa…

Fonte de informação, inspiração e comunicação?
Tudo me inspira! Revistas, muito cinema, arte, teatro, out of Broadway, pessoas interessantes, pessoas chatas, grandes personalidades, e senhorinha da limpeza, todos me inspiram. Gosto de pensar que se eu olhar para onde ninguém está olhando, posso encontrar o grande tesouro para criar algo novo. E sigo assim, sem desistir.

Bar, restaurante ou café onde você pode ser visto?
Circulo com gosto pelo high e pelo down. Gosto do vendedor de pipoca da rua, do bistrozinho bacana que recém abriu, da churrascaria sujinha e tradicional e assim vai. Tenho alguns endereços certos em determinadas cidades. Em São Paulo simpatizo com o Skye do Hotel Unique e com o Arola do Tivoli Mofarrej. Em Miami vou sempre no Carpaccio e no Delano. Em Nova York amo o Gilt. Em Porto Alegre o Puppi Bagio é o point ideal para encher uma mesa de amigos e dar risadas nas noites quentes.

E agora daqui a 5 anos?
Que medo. Que ansiedade. Posso conversar com minha terapeuta e responder outra hora? (risos)

Como funciona o seu processo criativo?
Não tenho um protocolo estabelecido e não sigo muitas regras. Normalmente ouço o que o cliente precisa, armazeno tudo no meu HD cerebral e aguardo as coisas serem processadas. Muitas vezes este processo gera insônia, incertezas e um certo sofrimento, já que quero sempre propor algo inusitado, e nem sempre é isso que o cliente procura. Frequentemente a inspiração acaba surgindo como que do nada, em meio a uma conversa informal ou durante uma noite de sono. Com a idéia na mão, depois é só colocar no papel para o cliente visualizar aquilo que estou propondo.

Em seus projetos, o que nunca pode faltar?
Gosto de trabalhar com a ironia, com o inesperado e com o incomum. Minha tendência é não seguir tendências. Quero criar um mundo mais lúdico e inusitado, fugindo da pasteurização onde todos remam na mesma direção. Se todos vão para a direita, quero descobrir o que têm lá na esquerda.

Está atualmente trabalhando em um novo projeto? Pode nos contar a respeito?
Já estou desenvolvendo desdobramentos da linha de mobiliário que acabo de lançar. Até o final do ano teremos variações divertidas e interessantes dos móveis que estão chegando nas lojas de todo o Brasil até o final deste mês. Para o ano que vem, novas peças com inspirações e usos variados deverão ser lançadas no mercado com minha assinatura.

Suas peças são ousadas e divertidas, você parece ser bem humorado e levar isso ao trabalho. Aí a curiosidade, como você encara o design na sua vida?
No dia-a-dia meu humor oscila bastante. Quando o momento é de trabalhar, sou determinado, exigente e ranzinza. Gosto de silêncio e tranquilidade para criar. Quando as coisas saem como eu esperava, volto a ficar brincalhão e relaxado. Não sou daqueles aficionados por design, por grifes ou por luxos. Gosto daquilo que é diferente, inusitado e debochado… seja uma peça assinada ou uma sucata. Não dizem que Deus está nos detalhes? Acho que é por aí.

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